“Não siga o passado, não se perca no futuro. O passado não existe mais, o futuro ainda não chegou. Observando profundamente a vida como ela é, aqui e agora, é que permanecemos equilibrados e livres. (Bhaddekaratta Sutta) "
Este é o único momento para se viver. Se vocês perdem o momento presente, perdem seu compromisso com a vida. Buddha disse que vida só está disponível no momento presente. "Momento maravilhoso", esta é a vida que vocês tocam. De repente a felicidade torna-se possível. Estar vivo, tocar o céu azul, a terra, inspirando e expirando livremente, nos permitindo descansar o corpo e a consciência, já é uma coisa maravilhosa. Nossa percepção sempre continua crescendo. Você não tem que procurar um "curso intensivo" de meditação, ou um "nível alto" de meditação, ou uma prática "intensiva" ou "alta". Lin-Chi, o fundador da escola Rinzai de meditação, disse, "O milagre não é caminhar no fogo ou no ar tênue, o milagre é caminhar na terra". Se a consciência está lá, você está executando o milagre de estar vivo a cada momento.
(extraído de"A Arte de Curar a Nós Mesmos"ensinamentos do Mestre Thich Nhat Hanh)
Nossas ações viram causas e, dessas causas, naturalmente, vêm resultados. Tudo que é colocado em movimento produz um movimento correspondente. Se você joga uma pedra em uma lagoa, formam-se ondulações em círculos, batem na margem e voltam. O mesmo se passa com o movimento dos pensamentos. Quando os resultados desses pensamentos retornam, sentimo-nos vítimas indefesas: "Estávamos inocentemente vivendo nossa vida... por que todas essas coisas estão acontecendo conosco? "O que acontece é que as ondulações estão voltando para o centro. Isso é o karma.
A palavra [karma] penetrou na consciência ocidental, a partir do ponto de vista budista, pelo menos, em certa aparência distorcido. É muitas vezes chamada de Lei de Causa e Efeito, portanto, é sobre as consequências e as ações do corpo, fala e mente. E as consequências são muito importantes no budismo.
Qualquer ação que se fizesse, porém sutil, pela pessoa que exerça sempre vai produzir um futuro "amadurecimento" e, em última análise, um "fruto" de qualidade moral semelhante, porque a esfera humana do karma opera de uma maneira ética. Então, uma ação antiética irá produzir conseqüentemente uma causa dessa natureza, ainda nesta manifestação ou em algum futuro renascimento; e o mesmo acontece em relação a ações moralmente boas ou indiferentes que são desenvolvidas e livremente empreendidas. Na Bíblia diz-se algo semelhante: que nós vamos colher o que semeamos. Se quisermos progredir espiritualmente - ou mesmo apenas viver com o mínimo de agravamento - por isso, devemos ser muito cautelosos na nossa fala e ação, pois não há maneira de podermos escapar às consequências.
- John Snelling, Elementos do Budismo. de Everyday Mind, edited by Jean Smith, a Tricycle book.
Um rei chamado Nobushige foi até o mestre Zen Hakuin, e perguntou: “por acaso existe o inferno e o paraíso?
O mestre ficou calado. O rei insistiu algumas vezes, até que Hakuin disse: “quem é o senhor para vir até aqui perturbar a minha tranqüilidade?”
A face de Noboshige ficou vermelha de raiva.
“Sou um rei, o senhor de todas estas terras!”
“Que rei idiota! Imagine, viajar para tão longe só para fazer uma pergunta estúpida!”
Noboshige começou a desembainhar sua espada.
“Ah, então o senhor está armado!”, riu o mestre zen. “Pois aposto que esta espada está cega e enferrujada!”
“Você verá!”, bradou o rei. “Minha fúria é como inferno na terra!”
O mestre zen abriu o quimono e mostrou o peito. “Vamos! Acabe com minha vida! Assim que esta espada tocar o meu coração, estarei no paraíso!”
Houve um momento de silêncio.
O mestre zen olhou direto para Noboshige: “então, respondi sua pergunta? O inferno é perder o controle apesar do poder. O paraíso é manter o controle, apesar do medo”.
O Venerável Nagarjuna disse, “A mente que vê profundamente o fluxo do nascimento e da morte e reconhece a natureza transitória do mundo é conhecida por Mente da Iluminação.”
"Ter controle sobre a mente é um desafio. Em geral, estamos no passado, nostálgicos ou lamentosos. Ou no futuro, antecipando catástrofes ou adiando possibilidades. No presente, nunca." Eliane Brum - leia a matéria aqui!
Lembremos que o Ministério da Saúde recomendou a prática de meditação com finalidades terapêuticas, a iniciativa de membros do Templo Busshinji em SP está descrita abaixo, um exemplo a ser seguido:
"Através do zazen, podemos despertar qualidades naturais de alegria, compaixão, liberdade, harmonia e respeito para com todos os seres, favorecendo, assim, o desenvolvimento de uma comunidade pacífica e feliz.
Nesse sentido, iniciam-se a partir de 10 de novembro práticas de zazen no Hospital do Servidor Público Municipal, sob responsabilidade dos monges Jisho e Koun e do praticante Shokan. A prática é aberta ao público em geral (e não apenas a funcionários, pacientes e visitantes).
O Hospital conta com uma sala de meditação, com vários zafus e zabutons, num recinto agradável e apropriado para o zazen.
Todos estão convidados a participar e a divulgar essa iniciativa.
Local: Hospital do Servidor Público Municipal 9º andar – Sala de Meditação. Rua Castro Alves, 60 – Aclimação Metrô Vergueiro São Paulo
Horários:
Segundas e terças-feiras 7:00, 7:45, 8:30, 9:15." (Do blog Sangha Margha)
"Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho para sempre"
Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo, fica do mesmo jeito a vida inteira. São pessoas de uma mesmice e uma dureza assombrosa. Só que elas não percebem e acham que seu jeito de ser é o melhor jeito de ser.
Mas, de repente, vem o fogo. O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos: a dor. Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, o pai, a mãe, perder emprego ou ficar pobre. Pode ser fogo de dentro: pânico, medo, ansiedade, depressão ou sofrimento, cujas causas ignoramos. Há sempre o recurso do remédio: apagar o fogo! Sem fogo o sofrimento diminui.
Com isso, a possibilidade da grande transformação também. Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro cada vez mais quente, pensa que sua hora chegou: vai morrer. Dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar um destino diferente para si. Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada para ela.
A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo a grande transformação acontece: BUM! e ela aparece como uma outra coisa completamente diferente, algo que ela mesma nunca havia sonhado. Bom, mas ainda temos o piruá, que é o milho de pipoca que se recusa a estourar. São como aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem.
A presunção e o medo são a dura casca do milho que não estoura. No entanto, o destino delas é triste, já que ficarão duras a vida inteira. Não vão se transformar na flor branca, macia e nutritiva. Não vão dar alegria para ninguém.
“Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho para sempre.”
Rubem Alves, psicanalista, educador, teólogo e escritor.