terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

De coração a coração


«Assim como com uma vela acesa se acende outra, o mestre transmite o genuíno espírito da arte de coração a coração, para que eles se iluminem. Então, se a graça lhe é reservada, o discípulo descobre em si mesmo que a obra interior que ele deve realizar é bem mais importante que as obras exteriores, por mais atraentes que sejam, e que ele deve persegui-la se quiser ser o artífice do seu destino de artista.»

Eugen Herrigel

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

NADA É SAGRADO


Muitos percorrem muitos caminhos para concluir que tudo é sagrado. O Zen tira-nos o tapete debaixo dos pés e diz que nada é sagrado.

Quando Boddhidharma chegou à China, foi convocado para comparecer perante o imperador Wu (502-550), um patrono do budismo Mahayana. O imperador perguntou a Bodhidharma qual o mérito que este encontrava nas suas ações em prol do budismo.

- Nenhum - replicou Bodhidharma
Perplexo, o imperador indagou:
- Qual é, então, o significado das verdades sagradas?
- A Vacuidade. Nada é sagrado.
Confuso e talvez irritado, o imperador perguntou finalmente:
- Quem é a pessoa que me está a encarar?
- Não sei - respondeu Bodhidharma.

Conto Zen.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Breve diálogo entre o teólogo Leonardo Boff e Dalai Lama


Leonardo Boff explica:

'No intervalo de uma mesa-redonda sobre religião e paz entre os povos,
na qual ambos participávamos, eu, 'maliciosamente', mas também
com interesse teológico, lhe perguntei:

- 'Santidade, qual é a melhor religião?'

Esperava que ele dissesse:

'É o budismo tibetano' ou 'São as religiões orientais,
muito mais antigas do que o cristianismo.'
O Dalai Lama fez uma pequena pausa, deu um sorriso, me olhou bem nos olhos
- o que me desconcertou um pouco, por que eu sabia da malícia
contida na pergunta - e afirmou:

'A melhor religião é a que mais te aproxima da Unidade com o Absoluto
É aquela que te faz melhor.'
Para sair da perplexidade diante de tão sábia resposta,
voltei a perguntar: - 'O que me faz melhor?'

Respondeu ele: - 'Aquilo que te faz mais compassivo
(e aí senti a ressonância tibetana, budista, taoísta de sua resposta),
aquilo que te faz mais sensível, mais desapegado,
mais amoroso, mais humanitário, mais responsável...
A religião que conseguir fazer isso de ti é a melhor religião...'

Calei, maravilhado, e até os dias de hoje
estou ruminando sua resposta sábia e irrefutável.

Respondi obrigado em gasshô __/\__

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Confiem no Dharma


Um pouco antes do Buda Sakyamuni deixar esta existência física e entrar no Nirvana, Ele teria proferido as seguintes palavras a seus discípulos:

“Deste dia em diante, confiem no Dharma, não naqueles que o ensinam. Confiem no sentido, não nas palavras. Confiem na sabedoria, não no conhecimento analítico. Confiem nos sutras que expressam o sentido em sua totalidade e não naqueles que não o fazem.”

“Comentário sobre o Sutra Mahaprajnaparamita”, Nagarjuna.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Entrevista com o mestre zen Dokushô Villalba



Nesta entrevista (em espanhol claro), o mestre fala sobre o lançamento de seu novo livro "Zen na praça do mercado", sobre o uso indevido da palavra "ZEN", meditação zen (zazen), iluminação (o despertar budista), ecologia e o mercado.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

De mãos vazias


[...] Muitos monges Japoneses que foram estudar e praticar na China voltavam para o Japão trazendo pilhas de sutras Budistas como souvenirs, mas Dogen Zenji voltou com as mãos vazias. A única coisa que o mestre Dogen trouxe de volta foi tornar seu o ensinamento de Shikan-taza (somente sentar) a prática do zen.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

A representação do touro no zen


Aqui, o Dr. Obadiah Harris, PhD em filosofia, fala sobre a representação do touro no zen.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Em meio ao mundo


(As Dez Figuras do Boiadeiro - 10)

O Nirmanakaya é o estado completamente desperto de estar em meio ao mundo. Sua ação é como a lua refletindo em centenas de tigelas de água. A lua não mantém o desejo de refletir, mas esta é sua natureza. Trata-se de lidar com a terra e a derradeira simplicidade, trancendendo o seguir o exemplo de alguém. É o estado de “completo fiasco” ou “cachorro velho”. Você destrói o que quer precise ser destruído, subjuga o que quer que precise ser subjugado, e você se importa com o que quer que precise que você se importe.

Extraído do site Bodisatva.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Alcançando a fonte


(As Dez Figuras do Boiadeiro - 9)

Já que este espaço e abertura e a total ausência de medo estão presentes, a brincadeira espontânea das sabedorias é um processo natural. A fonte da energia que não precisa ser buscada se manifesta; é como se você fosse rico em si e não como se fosse enriquecido por algum fator. Porque há tanto calor básico quanto espaço básico, a atividade de compaixão do Buda está viva e assim toda comunicação é criativa. É uma fonte no sentido de ser o tesouro inexaurível da atividade do Buda. Este é, portanto, o Sambhogakaya.

sábado, 31 de janeiro de 2009

Transcendidos touro e eu


(As Dez Figuras do Boiadeiro - 8)

Esta é a ausência tanto do esforço quanto do não-esforço. É a imagem desnuda do princípio primordial do Buda. Esta entrada no Dharmakaya é a perfeição do não-vigiar – não há mais critérios, e a compreensão de Maha Ati como um estágio definitivo é completamente transcendida.