sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Transcendido o touro


(As Dez Figuras do Boiadeiro - 7)

Mesmo aquela alegria e cor torna-se irrelevante. A mandala de símbolos e energias do Mahamudra se dissolve no Maha Ati através da total ausência da idéia de experiência. Não há mais touro. A louca sabedoria torna-se cada vez mais evidente e você abandona completamente a ambição de manipular.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Montando no touro e indo para casa


(As Dez Figuras do Boiadeiro - 6)

Já não há mais nenhuma busca. O touro (a mente) finalmente obedece ao mestre e se torna energia criativa. Este é o rompimento final ao estado da iluminação – o samadhi vajra do Décimo Primeiro Bhumi. Com o desdobrar da experiência de Mahamudra, a luminosidade e cor da mandala transformam-se na música que guia o touro para casa.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Domando o touro


(As Dez Figuras do Boiadeiro - 5)

Uma vez capturado o touro, altinge-se sua doma através da atenção meditativa panorâmica e do lancinante chicote do conhecimento transcendental. O Bodisatva conquistou as ações transcendentes (paramitas) – e não se fixa a coisa alguma.

A palavra paramita significa “ir até a outra margem”. Essas ações são como um bote que usamos para atravessar o rio do samsara. As paramitas são também chamadas ações transcendentes porque são baseadas em dar um passo além das noções convencionais de virtude e não-virtude. Elas nos treinam para irmos completamente além das limitações da visão dualista e para desenvolvermos uma mente flexível.
(Pema Chodron)

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Capturando o touro


(As Dez Figuras do Boiadeiro - 4)

Após ter o vislumbre do touro, você descobre que a generosidade e a disciplina não são suficientes parar lidar com suas projeções, você ainda tem que transcender completamente a agressão. Você tem que reconhecer a precisão dos meios hábeis e a simplicidade de ver as coisas como elas são, o que está ligado com a compaixão plenamente desenvolvida. O subjugar da agressão não pode ser feito num panorama dualista – é preciso um compromisso total com o caminho compassivo do Bodisatva, ou seja, um desenvolvimento mais amplo da paciência e do vigor.

Extraído do site Bodisatva

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Encontrando o touro


(As Dez Figuras do Boiadeiro - 3)

Você fica pasmo ao perceber o touro e então, porque já não há mais nenhum mistério, você se pergunta se ele está realmente ali; você percebe sua qualidade insubstancial. Você perde a noção de um critério subjetivo. Quando você começa a aceitar esta percepção da não-dualidade, você relaxa, porque não precisa mais defender a existência de seu ego. Você pode dar-se ao luxo de ser aberto e generoso. Você começa a ver outras formas de lidar com seus projetos e isso em si é alegria, o primeiro nível espiritual de conquista de um Bodisatva.

Aqui a consciência do caminho ensinado pelo Buddha, que leva ao Despertar, passa a acionar a ação correta. São 3 ensinamentos e oito chaves (ou praticas) do caminho.

Os Três Treinamentos Superiores

Os Três Treinamentos Superiores
O Nobre Caminho Óctuplo
I. Sabedoria 1. Visão Correta
2. Pensamento Correto
II. Ética (ou Moralidade) 3. Fala Correta
4. Ação Correta
5. Meio de Vida Correto
III. Meditação 6. Esforço Correto
7. Atenção Correta
8. Meditação Correta


O nobre caminho é conhecido como o “caminho do meio” porque é baseado na moderação na harmonia, e na sabedoria.

Extraído do site Bodisatva.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Descobrindo as pegadas


(As Dez Figuras do Boiadeiro - 2)

Ao compreender a origem desta dor, você descobre a possibilidade de transcende-la. Este é o reconhecimento das Quatro Nobres Verdades no budismo. Você vê que a dor resulta dos conflitos criados pelo ego, e descobre as pegadas do touro, que são suas pesadas marcas, e que tomam parte em todos os eventos os transformando em jogos. Você é inspirado por conclusões lógicas inabaláveis, não pela fé cega. Isto corresponde aos caminhos Shravakayana e Pratyekayana.

As quatro nobres verdades são as bases da compreensão em direção à consciência e liberação. Saõ elas: 1. Todos os seres estão sujeitos ao sofrimento (velhice, doença, morte, insatisfação etc.); 2. O sofrimento (ou insatisfatoriedade) surge de causas (cobiça, raiva, ignorância etc.); 3. Ao eliminarmos as causas, o sofrimento é eliminado; 4. Praticando o nobre caminho óctuplo, o sofrimento e suas causas são eliminadas.

Praticar o aprendizado com todas as coisas que acontecem no caminho é encontrar um oásis no meio do caos apontado pelo movimento interior. Isto só será possível se a ACEITAÇÃO DE SI MESMO e o NÃO JULGAMENTO tomarem assento nas experiências da vida, junto a você.


Extraído do site Bodisatva.

sábado, 24 de janeiro de 2009

Procurando o touro


(As Dez Figuras do Boiadeiro - 1)

A inspiração para este primeiro passo, procurar o touro, é a sensação de que as coisas não são íntegras, de que alguma coisa está faltando. Este sentimento de perda produz dor. Você está procurando algo que faça a situação se endireitar. Você descobre que as tentativas do ego na direção de criar um ambiente ideal são insatisfatórias.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

O Caminho do meio


Não devemos confundir os mestres Zen com os "Mahatmas" teosóficos. Os mestres Zen são perfeita¬mente humanos. Adoecem e morrem; conhecem a alegria e a dor; têm mau-humor , ou qualquer outra perfeita "fraqueza" de caráter, tal como qualquer outra pessoa, e não são superiores nas suas paixões. A perfeição Zen está em ser-se simplesmente humano. A diferença entre o mestre Zen e o ser humano comum reside na luta que este último trava incessantemente contra si próprio e a própria humanidade, procurando ser anjo ou demônio. Diz uma célebre frase de Ikkyu:

Os Anjos e os Demônios ocupam as posições mais alta e mais baixa, as posições da perfeita felicidade e da perfeita frustração. Estas posições estão nos pólos opostos de um círculo porque conduzem uma á outra. Não representam literalmente seres , mas os nossos próprios ideais e terrores dados que a roda da vida( das "reencarnações") é na realidade a nossa mente.

A posição do homem reside no meio.

No zen o homem não tem a mente separada entre aquilo que conhece e vê:

A longa noite.
O som da água diz aquilo que penso.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Medo da verdade


A prática inteligente sempre lida apenas com uma coisa: o medo na base da existência humana, o medo de que "eu não sou". E é claro que "eu não sou", mas a última coisa que quero saber é isso: eu sou a própria impermanência em uma forma humana em rápida mudança, mas que aparenta solidez. Eu temo ver o que sou: um campo de energia sempre em mutação...

Então a boa prática se refere ao medo. O medo toma a forma de pensamento constante, especulação, análise, fantasia. Com toda essa atividade, criamos uma nuvem-tampa para nos manter seguros em uma prática de faz-de-conta.

A verdadeira prática não é segura; é tudo menos segura. Mas não gostamos disso, então ficamos obcecados em nossos esforços febris para alcançar nossa versão do sonho pessoal. Tal prática obsessiva é também apenas outra nuvem entre nós e a realidade.

A única coisa que importa é ver com uma lanterna impessoal: ver as coisas como elas são. Quando a barreira pessoal cai, por que precisamos chamar isso de alguma coisa? Apenas vivemos nossas vidas. E quando morremos, apenas morremos. Nenhum problema em nenhum lugar.

Charlotte Joko Beck, "Everyday Zen"

domingo, 18 de janeiro de 2009

O Apego


"Naquele que tem apego, há agitação. Naquele que não tem apego, não há agitação. Não havendo agitação, há calma. Havendo calma, não há preferência. Não havendo preferência, não há ir e vir. Não havendo ir e vir, não há falecimento e renascimento. Quando não há falecimento e renascimento, não há nem um aqui, nem um ali, e tampouco entre os dois. Isso, justamente isso, é apenas o fim do sofrimento."

Siddhārtha Gautama, o Buddha.