segunda-feira, 24 de março de 2008

Se - (Hermógenes)

Se, ao final desta existência,
Alguma ansiedade me restar
E conseguir me perturbar;
Se eu me debater aflito
No conflito, na discórdia...

Se ainda ocultar verdades
Para ocultar-me,
Para ofuscar-me com fantasias por mim criadas...

Se restar abatimento e revolta
Pelo que não consegui
Possuir, fazer, dizer e mesmo ser...

Se eu retiver um pouco mais
Do pouco que é necessário
E persistir indiferente ao grande pranto do mundo...
Se algum ressentimento,

Algum ferimento
Impedir-me do imenso alívio
Que é o irrestritamente perdoar,

E, mais ainda,
Se ainda não souber sinceramente orar
Por quem me agrediu e injustiçou...

Se continuar a mediocremente
Denunciar o cisco no olho do outro
Sem conseguir vencer a treva e a trave
Em meu próprio...

Se seguir protestando
Reclamando, contestando,
Exigindo que o mundo mude
Sem qualquer esforço para mudar eu...

Se, indigente da incondicional alegria interior,
Em queixas, ais e lamúrias,
Persistir e buscar consolo, conforto, simpatia
Para a minha ainda imperiosa angústia...

Se, ainda incapaz
para a beatitude das almas santas,
precisar dos prazeres medíocres que o mundo vende...

Se insistir ainda que o mundo silencie
Para que possa embeber-me de silêncio,
Sem saber realizá-lo em mim...

Se minha fortaleza e segurança
São ainda construídas com os materiais
Grosseiros e frágeis
Que o mundo empresta,
E eu neles ainda acredito...

Se, imprudente e cegamente,
Continuar desejando
Adquirir,
Multiplicar,
E reter
Valores, coisas, pessoas, posições, ideologias,
Na ânsia de ser feliz...

Se, ainda presa do grande embuste,
Insistir e persistir iludido
Com a importância que me dou...

Se, ao fim de meus dias,
Continuar
Sem escutar, sem entender, sem atender,
Sem realizar o Cristo, que,
Dentro de mim,
Eu Sou,
Terei me perdido na multidão abortada
Dos perdulários dos divinos talentos, Os talentos que a Vida
A todos confia,
E serei um fraco a mais,
Um traidor da própria vida,
Da Vida que investe em mim,
Que de mim espera
E que se vê frustrada
Diante de meu fim.

Se tudo isto acontecer
Terei parasitado a Vida
E inutilmente ocupado
O tempo
E o espaço
De Deus.
Terei meramente sido vencido
Pelo fim,
Sem ter atingido a Meta.




Poema: SE
Autor: Hermógenes

“Deus me livre de ser normal”!

9 comentários:

Lívia disse...

Poema lindo, sincero, interessante. Gostei bastante, além de ser construtivo!

Vital Alves disse...

Hermógenes é um dos grandes gênios que o nosso país pouco conhece, irrepreensível, fantástico.
Parabéns pelo blog, esse tipo de conteúdo é o que fortalece a cultura de quem procura o verdadeiro conhecimento.

Shella Maria disse...

esse texto foi lindo...Parabens...:) è legal isso...vc colcoa umpoema desse por prazer, distraçao e ainda usa da midia o que ela tem de melhor...

Continue...

Gostei muito do seu blog..

ALANA disse...

Fiquei encantada com esta poesia
Será que ela já foi musicada? Se não, como faço pra ter a permissão de ousar assim?

Duarte disse...

splEsse texto é tudo de bom, me fez refletir muito, òtimo adorei..adorei o blog..além disso esse blog é só cultura tudo que precisamos...

Duarte disse...

Esse texto é lindo ..obrigada por compartilhar.Parabens pelo Blog..me fez muito bem te-lo lido..

Simone disse...

Com mensagem de orientação para a verdadeira vida, livre dos egos, esse poema nos inspira a viver com consciência e plenitude e assim, finalmente, nos revelarmos inteiramente a imagem e semelhança de Deus Pai/Mãe. Namaste.

Sonia Maria Mattoso de Moura disse...

Olá Hermógenes posso copiar sua poesia?... é lindo demais, quando lhe vejo nos vídeos (Eu maior) as lágrimas saíam...vc é uma pessoa iluminada verdadeiro obrigada pela contribuição do exemplo de vida. Show de bola. Namaste.

Luiza Bonafe disse...

Como e bom ouvir suas palavras. Descanso pra alma. Desejo. de ser melhor.